quinta-feira, 29 de julho de 2010

Te olho nos olhos e você reclama que te olho muito profundamente.
Desculpa. Tudo o que eu vivi foi profundamente.
Eu te ensinei quem sou.
E você... foi me tirando os espaços entre os abraços.
Guarda- me apenas uma fresta.
Eu que sempre fui livre, não importava o que os outros dissessem.
Até onde posso ir pra te resgatar?
Reclama de mim como se houvesse a possibilidade de eu me inventar de novo.
Desculpa, se te olho profundamente. Rente a pele.
A ponto de ver seus ancestrais nos seus traços.
A ponto de ver a estrada muito antes dos seus passos.
Eu não vou separar as minhas vitórias dos meus fracassos.
Eu não vou renunciar a mim, nenhuma parte...
Nenhum pedaço, do meu ser vibrante, errante, sujo, livre, quente.
Eu quero estar vivo e permanecer te olhando, profundamente.


Não me queira só pela metade.
Eu tenho o melhor e o pior dentro de mim.
E é assim que eu sou.
Irritante, intrigante, intolerante e indivisível.

sábado, 24 de julho de 2010

Crente?

Acho o crente muito prepotente. Pode ler a frase de novo porque foi exatamente isso que escrevi.

Temos a tendência de achar que só nós possuímos a verdade e que vamos salvar o mundo. O crente não salva ninguém. Quem salva é Jesus. Também existe a inclinação a achar que ninguém é bom o suficiente ou que somos seres superiores. Mas não é bem assim. Já vi muita gente mais honesta do que os que se chamam cristãos. Semana passada, em um almoço de negócios, me vi obrigada a pedir perdão a dois empresários do mercado secular pelo péssimo testemunho que eles vivenciaram com um parceiro cristão. Embaraçados eles me disseram que nunca lidaram com tantas pessoas que tem dificuldade em honrar os compromissos como nesse meio. Constrangida disse a eles o que digo agora: Deus não tem nada a ver com o que pessoas sem caráter fazem. Ele não tem nada a ver com a prepotência do crente.

Em nome dessa prepotência muitas famílias se dividem, porque às vezes o crente acaba se achando melhor dos que os que ainda não conhecem a Jesus, e se recusa a freqüentar aniversários, natais e encontros. Não é a toa que o crente fica com fama de chato e anti-social. É que esse crente se esquece que o Mestre não andava somente entre Seus seguidores. Creio que esse tipo de ser não entende que separação é diferente de segregação. Ser separado, como as pessoas gostam tanto de dizer, não significa se isolar do mundo, mas sim evitar a prática do pecado. Deu para entender como as coisas são diferentes?

É por isso que muitas vezes é embaraçoso dizer que sou crente. Não, não tenho vergonha de declarar minha fé e amor ao meu Deus, mas é constrangedor ser associada a pessoas que nem honram o nome que ostentam. Pelo contrário.

Moral da história, quando me perguntam se freqüento alguma igreja logo respondo: Claro. Sou crente. Mas não sou desse tipo que você está pensando.

Ninguém merece.

Escrito por: Iana Coimbra.

Faço dessas, minhas próprias palavras!

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Seria bom

Bom seria se eu te encontrasse agora,
e o mundo inteiro fosse embora,
e só restasse dois.

Bom seria ficar bem juntinho,
me perder nos seus carinhos,
e me encontrar só depois.

Bom seria me inebriar do seu perfume,
seu olhar sorrir pra mim,
ver o sol nascer, se por e nascer de novo, assim,
sem fim.

Bom seria, agora, colocar sua mão na minha,
fechar os olhos,
amanhecer,
sentir seu coração,
e ainda só restasse dois,
sem ilusão.

Bom seria...

sexta-feira, 16 de julho de 2010

Quando se tem saudade

Quando me perco em pensamentos e viajo até àqueles momentos, a saudade vem.
Por que você teve que ir tão cedo?
Nem cresci direito ainda...
O tempo passa mas a dor e a saudade não. São pungentes, latentes.

Como era bom rir com você e de você (é, você sabia ser engraçada).
Ouvir aquela mesma história pela centésima vez, e ainda assim não me entediar.
Assistir àquele programa de TV tão sem graça... mas que não importava porque você era a graça.
Os churrascos em família que jamais serão os mesmos. Não terão mais você reclamando das músicas feias e tão altas, nem dos seus netos fazendo aquela bagunça pela casa. rs

É claro que valeu a pena o tempo que tivemos. Aproveitamos. Fomos felizes.
Mas parece que você foi embora antes da hora.
Sabe quando você perde uma coisa que não pode repor?
E o pior é que nem pude dizer adeus...
Insubstituível.

Ainda não encontrei um jeito de viver sem você. Tem sempre algo faltando.

Me lembro quando perguntou: “Lissim, quando você vai se casar?”
Eu: “Não sei vó, talvez daqui uns seis anos.”
Você: “Não Élisson, não pode demorar tanto, até lá não vou estar mais aqui.”

Se soubesse, teria até me casado antes...

Agora, tantas coisas vou fazer, e doe tanto pensar que você não vai estar aqui.
A formatura, o casamento, o primeiro filho...
Também não vou mais ouvir você dizer que têm pãezinhos pra mim na cozinha. Sabia que eu gostava e por isso sempre deixava alguns guardados pra se acaso eu aparecesse.

Quando ainda bebê, dizem que só parava de chorar nos seus braços, olhando o céu pela janela do seu quarto. Mas e agora, quem pode enxugar minhas lágrimas como você fazia?
Quem vai me dar AQUELE abraço no dia do meu aniversário e dizer um monte de palavras de bênçãos pra mim?
Seus conselhos estão bem guardados no meu coração. Valem tanto... Mas eu eu preciso de novos, quem vai me dizer palavras carregadas de tanta sabedoria?

A vida tem que continuar de algum jeito...

E um dia, quando houver cabelos brancos e eu me perder em pensamentos e viajar até àqueles momentos, a saudade ainda virá. E as lágrimas regarão os meus olhos, como agora.
Sei que vou ter muitas lembranças pra me apegar, mas nada se compara ao que seria se você estivesse aqui, bem pertinho de mim.

Te amo pra sempre.

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Sem resposta

Hoje meu coração amanheceu menor... Menor mas com um enorme vazio.
Do que ele sente falta?
Família?
Não. Boa parte do dia ele a teve.
Falei com alguns amigos também mas isso não foi o suficiente.
E esse sentimento continua... Sem resposta.
Nunca me senti assim. Estranho.
Nem a minha amada pode me tirar esse peso.
Não sei.
Ou será que é mais fácil fingir não saber?
Será possível sentir falta do que você nunca teve?
Sei lá.
Talvez a resposta de tantas perguntas esteja diante dos meus olhos e eu não quero enxergar.
De qualquer forma o dia já está acabando e o vazio continua...
Dorme coração... Amanhã será um novo dia.

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Futuro

(Originalmente escrito em 03/06/2010)

É difícil não pensar no futuro quando tudo à sua volta te lembra que ele existe. E ele não só existe como se aproxima numa velocidade mais rápida do que sua mente consegue acompanhar.

Você simplesmente vive e de repente é despertado, como que por um grito, te dizendo que o tempo passou, e passa. Quando se faz vinte e três anos você ouve "o grito" e começa a pensar no que acontece ou deveria acontecer a seguir. Sentimentos de uma vida estagnada enquanto o tempo passa são comuns.

Cada dia que passa é um dia a menos da vida, um dia a menos que se tem pra fazer o que se acha que deve ser feito, fazer acontecer, para que no final você tenha a certeza de que a vida valeu a pena. Cada dia que se vai também é um lembrete de que você está perto do ponto final.

É, o futuro dá medo... e envelhecer é um problema; não só pela vaidade mas principalmente pela consciência quase palpável de que seus dias estão chegando ao fim. A vida é deliciosa demais para se querer deixá-la. Nem mesmo os suicidas querem abrir mão de viver, na verdade o que eles querem é se livrar das dores, medo e pressão que os perseguem.

Frases como "carpe diem" e "viva cada momento como se fosse o último" podem parecer um pouco clichê mas são sábias e verdadeiras, afinal como saber o que acontece depois? Ficamos sabendo de tantas vidas interrompidas, às vezes tão precocimente e isso é imensamente lamentável...

E agora, depois de despertado pelo "grito", termino o dia feliz. E apesar de ter uma certa aversão à surpresas, comemoro meus vinte três anos numa festinha inesperada com amigos tão amados na expectativa de tê-los presentes no meu futuro,para abrandar um pouco o terror que ele traz, e ajudarem a fazer com que a história da minha vida seja escrita da melhor maneira, para que, no final, tudo tenha valhido à pena.